We will make america great again!!!!
Faço este posto após ver o All Business The Essencial Donald Trump da CNN, programa especial deste canal americano de informação dedicado a esta personagem que é hoje o (cada vez menos mas para todos os efeitos) candidato do partido republicano às eleições presidenciais nos EUA.
Começa por referir aquilo a que eu denomino por “terramoto trump” situação que para mim é positiva pois que se este terramoto “deitar tudo abaixo” permitindo reerguer tudo novamente do zero para que o próximo não produza os danos que este produziu, ou seja, se este esclarecer os votantes para que a política tem de ser feita de uma certa forma e, que, o politicamente correcto é a forma de o fazer então e, felizmente, não teremos tão cedo um novo trump.
A sua mensagem desde o inicio foi muito clara: eu, eu e mais eu. Eu um dos homens mais ricos do mundo. Eu como politico astuto. Eu como ser humano desprezível.
O programa faz um bom trabalho de “humanizar” o Trump ao ir ás suas origens através de entrevistas com pessoas próximas do seu pai e com os seus filhos - visto que o próprio recusou ser entrevistado para este programa - que passam a imagem de família de sucesso. Curioso que eles todos fazem questão de “vender” essa imagem, pois que, tal como o pai compreendem a importância de vender a imagem de self made man mas mais importante a ideia de que “the americam dream” ainda existe e o pai deles é disso um exemplo vivo.
O pai de Trump, Fred Trump, ensinou ao filho a sua filosofia de vida “Life is a competition you can either lose or win”.
Segundo Trump o seu irmão mais velho mostrou lhe tudo aquilo que ele não devia fazer, isto é, serviu de verdadeiro exemplo para ele e, por isso, ele não bebe, não fuma e consome drogas. Na opinião do autor de “a verdade sobre Trump” alem dos exemplos supra referidos Trump a morte precoce do irmão e a sua natureza gentil é verdadeiro exemplo da filosofia do pai, os fracos perdem para os vencedores, não podes ser “soft” tens de dar 100% sempre, tens de ser duro e não podes mostrar fraqueza.
Depois da entrada no imobiliário no centro de NY Trump vira se para os casinos de Atlantic City que provaram ser um negocio malfadado para ele. Depois de um investimento (descomunal) em 3 casinos diferentes - o ultimo dos quais o Taj Mahal - Trump passa a sofrer as consequências desse mesmo investimento.
Antes, enfrentou outro problema, o seu divorcio da sua primeira mulher.
De seguida, na década de 90 e com a crise do Imobiliário Trump começa a sofrer esses efeitos. Com um divida acumulada de 4 mil milhões e com um garantia pessoal de mil milhões e sem capacidade para gerar receitas a corda começou a apertar em torno do seu pescoço. A divida estava espalhada por 72 instituições financeiras - toda a gente queria um pedaço do seu sucesso - que queriam receber os seus empréstimos colocando assim o Trump muito próximo da bancarrota.
Colocado nesta situação é forçado a negociar com os credores. A meio de uma das reuniões com os credores e, segundo o seu contabilista ele provoca um momento Trump em que pede um intervalo de 5m em que lhe entregam copias do seu livro “the art of deal” que ele começa a assinar e a entregar aos representantes dos bancos que ali se encontravam.
Apesar destas negociações e da tentativa de o pai o ajudar com três milhões de dólares a verdade é que os seus casinos, um a seguir ao outro pediram a falência de acordo com a lei das falências americana colocando um ponto final no seu império dos casinos em Atlantic City arrastando consigo milhões de dólares em prejuízos para as empresas que investiram com o Trump que, há cerca de um ano questionado sobre esta questão afirmou que “foi um bom negócio, saí na melhor altura”.
Segundo a filha acções falam mais alto do que palavras quando confrontada pela jornalista sobre o facto de o pai ser ou não sexista. Se por um lado tenho de concordar com a posição dela, por outro, tenho de dizer que as palavras tem um significado e são o que pensamos no momento em que as proferimos ou é aquilo que sentimos. Por isso, acredito que ele goste o suficiente da filha para lhe dar um cargo e a colocar no topo da hierarquia Trump “ombro com ombro com os irmãos” mas isso não quer dizer que ele não seja sexista e que ele trate as mulheres de que não gosta com um desprezo e uma atitude que faz lembrar os homens das cavernas - e não no bom sentido - .
Aliás, as palavras usadas no sentido em que o Trump usa aquando de tratar certas mulheres - curioso que normalmente é quando elas o acham nojento e desprezível - marca e denota claramente que estamos perante alguém que não respeita nada nem ninguém e não estou a referir me ao politicamente correcto neste momento, estou, sim, a referir ao facto de que para ele é correcto e normal usar expressões desprezíveis e vergonhosas para com aquele(a)s que não o acham atraente e charmoso.
O Fenómeno “The Apprentice”, o “marcelo” lá so sitio.
De NY para o resto dos states e, para o resto do mundo. Foram 14 temporadas de uma serie que viveu da sua personalidade e, dos seus “tiques” que, o transportou de Manhattan para o resto dos estados unidos passando de um bilionário excêntrico conhecido “do meio” e das revistas, para um homem há procura de se sentar na sala oval. Foi aqui que expandiu de forma exponencial a sua marca que passa do imobiliário para a água, os bifes, o vinho, a vodka etc etc etc. Como é obvio a sua popularidade e a sua visibilidade aumentou exponencialmente e, aproveitando se desse facto lança-se há conquista dos americanos.
De seguida foi dado realce ao filhos do seu primeiro casamento, Donald Jr., Eric e Ivanca. Todos fazem parte da empresa como vices, todos fazem parte do seu staff de campanha. É aqui que reside parte daquilo que eu considero o seu segredo. É um homem aberto ao “povo”. A sua família e, a união dos seus filhos, a sua completa abertura a participar e a defender o pai transmitem uma ideia de homem de sucesso que conseguiu criar os seus filhos e fazer com que eles sejam pessoas de sucesso como ele. Esta “simplicidade” e abertura faz com que os americanos queiram ver este homem de família à frente do seu país. É fácil cair nesta tentação porque perante toda aquela “encenação” estamos perante uma família perfeita! Como diria Salazar, Deus, Pátria e Familia.
Quando o México envia as suas pessoas para os EUA eles não estão a enviar os seus melhores, pelo contrario, eles estão a enviar drogas, crime, violadores etc etc etc. A CNN chama lhe o candidato não convencional. Ele gosta de dizer que é um candidato fora do sistema. Eu gosto de dizer que ele representa todos aqueles que estão fartos do politicamente correcto e, aquele desiludidos e verdadeiramente frustrados com todos os outros que tiveram a sua oportunidade e falharam. Assim, vamos dar uma oportunidade a este porque este pode lufada de ar fresco que a Administração Americana precisa - por contraposição com a grande candidata democrata que, desde o inicio, era Hillary.
Claro que este discurso fácil de expulsar mexicanos e fazer a América grande outra vez é um discurso interessante para a classe média e baixa americana. Estamos a falar dos mais atingidos pelas crises dos últimos anos e que veem nele competência, astucia e capacidade de trabalho suficiente para fazer tudo aquilo que ele diz. O partido republicano estava há espera que ele se autodestruí-se mas isso não aconteceu e, não aconteceu porque o discurso dele está feito para agradar ás massas e fazer as pessoas acreditar nele. Até porque ele é alguém de fora do sistema e com discurso populista e fácil. Claro que ele tem mérito, ele é um grande comunicador, ele sabe o que dizer e quando dizer e, isso, sem os limites de um qualquer outro candidato do “sistema” ou da decência humana facilita porque o eleitorado americano é assim. Aliás o bush filho foi eleito segunda vez e ai se ve o tipo de eleitorado de que falamos.
Curioso que ele fez da publicidade, da sua imagem, do choque das suas declarações para abafar e eliminar da imprensa todas as outras campanhas. Estas só reagiam mas o problema era que era Trump que estava permanentemente na ribalta, ou seja, uma conferencia de imprensa, um tweet, um post no facebook e a imprensa estava “alimentada” durante vários dias. Não se falava de outra coisa nem de outros candidatos, ou seja, a única ideia que passava era Trump, Trump e mais Trump.
Mais tarde, já não era afectadas apenas as outras campanhas para a nomeação do candidato do partido republicano à casa branca, o próprio partido republicano sentiu a necessidade de reagir ás declarações do candidato, ou seja, mais publicidade para sua campanha, mais protagonismo para Trump. Estava o candidato escolhido e o partido republicano nas suas mãos. E isso viu se na sequência dos seus comentários sobre muçulmanos em que o partido republicano e o seu sistema vieram em massa afastar qualquer ligação à posição defendida por Trump, isto é, Trump mais uma vez orgulhosamente sozinho contra o mundo. Trump contra o sistema e este era seu inimigo.
Mas as melhores declarações que ele produziu para mim e as que realmente reflectem o estado de espirito dos seus votantes e defensores foram aquelas em que ele afirma que “Poderia estar no meio da 5.ª Avenida e matar duas pessoas que não perderia votos.”, isto é, a ilusão está lá, o “messias” chegou.
Em relação há não publicação dos seus impostos, como todos os outros candidatos tem feito nos últimos quarenta anos eu considero ser uma questão de su menos importância porque há questões mais importante que essa, como por exemplo a visão protecionista que ele tem, as guerras comerciais que pretende declarar com aparentemente todos os países, a sua visão para a possibilidade de a Arabia Saudita ou qualquer outro pais possuir armamento nuclear. Quer dizer, isto são apenas duas questões que Trump trata tão pela rama e com uma posição tão absurda que apela facilmente ao eleitorado americano.
A posição de ataque com que ele enfrenta todas as situações do dia a dia é bem demonstrada pelo facto de ele ter pedido reiteradamente a Obama o seu certificado de nascença que não foi atendido mas, não permite, nem sequer colocou como opção apresentar o seu IRS.
Uma coisa tenho de admitir. Donald Trump é uma personagem do seu tempo. Um self made man que apareceu para abalar o estableshiment dos partidos americanos e provocar um repensar na política americana. Espero que não ganhe, para bem dos americanos e do resto do mundo. Não gosto do politicamente correcto e na minha vida pessoal é coisa que não defendo mas, na minha vida profissional faço o e, não tenho problemas em dizer que o devo fazer porque temos de ser profissionais. Não podemos ser racistas, xenófobos, sexistas, homofóbicos, temos de respeitar. Sim, é verdade. Respeito.